POR QUE O DESERTO?
O deserto aponta para uma fase em nossas vidas determinada por Deus para nos amadurecer e aprofundar no relacionamento com Ele. É um tempo difícil para a carne e
para o ego, pois normalmente o deserto
vem para golpeá-los.
Sabemos que Deus é pai, que nos ama e zela de nós com grande cuidado.
Quando estamos no deserto, normalmente nos entristecemos achando que Deus não nos ama, não nos ouve e que nos rejeitou. Mas é
exatamente o contrário! Nunca gostamos
do deserto porque
somos infantis no conhecimento de Deus. Tal como as crianças, nós gostamos do que é agradável, mas detestamos o que nos causa
desprazer. Deus não tem compromisso em nos ser agradável. Ele tem a decisão de fazer o que será melhor. Muitas
vezes o que fazemos não agrada nossos filhos,
mas não nos perturbamos. Sabemos que o que fazemos
é o necessário. É o melhor. É com
essa ótica que Deus nos envia ao deserto.
Só somos totalmente conhecidos quando
colocados sob pressão; e esta pressão
vem para que se torne conhecido o que realmente
somos. Nós achamos
que nos conhecemos bem. Que engano!
O deserto vem
para nos decepcionar com toda expectativa e esperança
colocada no homem. Isso não é
negativo, é muito bom para
nós. Passamos a ter como única alternativa o Senhor.
Na solidão do deserto parece
que não há mais ninguém com
quem podemos contar. Todas as pessoas se tornam
distantes, impessoais e parecem não nos compreender.
Isso é obra de Deus. Ele
quer se tornar o nosso amigo mais íntimo, nosso companheiro de todas as horas, o ombro amado onde choramos as nossas tristezas. Ele se torna no deserto a única pessoa
a quem podemos recorrer.
No deserto não tem água, não tem vida, não tem descanso. Só calor e exaustão. Nossas
energias naturais vão se esgotando pouco a pouco até não haver mais nenhuma força, nenhum animo nenhum entusiasmo. O
tempo do deserto é tempo sem sabor, sem cor, sem novidade sem sentimento. Deus retira todos
os estímulos naturais que nos animavam no natural. O alvo de Deus é nos livrar da dependência da nossa vida natural e nos capacitar a depender inteiramente do Seu Espírito.
No deserto conhecemos a face
de Deus,
ao mesmo tempo em
que nos conhecemos. Esse contraste entre a Glória e a miséria é que nos torna verdadeiramente humildes. Ao sairmos do deserto, saímos convencidos de que não há em nós mesmos nada útil para Deus, nada próprio para Deus, nada próprio para o Reino.
Deus espera sempre uma atitude responsiva no deserto.
Mas o que é ter uma atitude
responsiva? É sermos maleáveis. É não nos endurecermos ante aquilo que Deus vem golpeando. É tão triste ver crentes sendo tratados
por Deus que ao invés de se humilharem
fortalecem ainda mais as antigas posições. Muitas vezes corremos esse
risco de não sermos sensíveis
e não percebermos que aquilo de negativo que está acontecendo é Deus desejando nos
falar e nos mudar.
Quanto mais resistirmos em nossa obstinação e dureza mais tempo passamos no deserto. E quanto
mais o tempo passa mais duro vai se tornando
o deserto. Deus nos envia ao deserto
para nos levar á semelhança de Cristo, entretanto algumas pessoas são tão duras, empedemidas
e obstinadas que acabam morrendo
no deserto. Que seria morrer no deserto? É viver a vida
inteira resistindo a Deus
e sendo resistido por Ele. Não se usufrui
de sua graça, de sua bênção, do seu descanso e da sua vida.
Nada na vida dos tais funciona. Tornam-se pessoas amargas e críticas. Acham tudo muito
falho. Estão sempre cheias de auto-piedade, de cobranças aos pais aos amigos a aos líderes
na igreja.
Moisés passou 40 longos anos no deserto para que Deus pudesse usá-lo. Por outro lado o Senhor Jesus passou somente 40 dias. Moisés foi mais
duro que Jesus 365 vezes.
Nosso Deus não tem prazer no deserto.
Ele tem prazer é em nossa resposta. Há pessoas
que contam do
seu longo tempo no deserto como se estivessem com grande vantagem. Quão ignorantes são! Estão somente dando testemunho de sua grande dureza de coração.
Não devemos endurecer-nos, pelo contrário devemos amar a disciplina do Senhor cedendo rapidamente e mudando de coração e de atitudes.
Na escola de Deus não se pode pular de cartilha. Se somos reprovados, em algum tempo depois passaremos pelo mesmo teste. Isso se repetirá até darmos a Deus a resposta de quebrantamento e mudança
que Ele espera de nós.